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domingo, 30 de outubro de 2011

''Em casa de menino de rua o ultimo a dormir apaga a lua.''



             Quem nunca passou pelo centro das grandes cidades e não se deparou com moradores de rua, infelizmente não vive a realidade, vive um sonho.Vivemos uma rotina constante dia após dia, alguns vão para a escola, outros para o trabalho; mas todos ao surgir da noite voltam para suas aconchegantes casas e recarregam suas energias ao lado de seus entes queridos, podendo assim ter força para enfrentar os devaneios da vida... E se parássemos para pensar em como seria se não tivéssemos casa? Como teríamos uma vida, um caminho trilhado se não tivéssemos uma base para encubarmos nossos sonhos e nossas atitudes? Essa realidade é lastimável, mas  pior do que ela  é a inercia dos seres humanos que descartam a opção de muda-la, os mesmos que se fecham  todas as noites em suas bolhas,deixando os problemas da rua, na rua, culpando quem mora nela pelo erro de não terem uma bolha onde possam se encubar.
         Atualmente, nas ruas brasileiras vivem aproximadamente 1,8 milhões de pessoas,sendo elas crianças, jovens, adultos e idosos que acabam por ter a rua como ultima opção de vida. Mas o que leva uma pessoa em sã consciência a abandonar seu suposto lar para viver sem estabilidade nenhuma? Será que  o senso de aventura dessas pessoas  é apurado demais ou  seus problemas fogem tanto da inercia humana que nem o aconchego do lar e sua bolha fraternal conseguem solucionar? É caros amigos, a verdade é deprimente mas tem que ser dita., quando as estruturas necessárias para uma boa convivência social falham e os problemas do individuo se tornam vistos sem solução a ultima opção que o mesmo tem é de se entregar ao mundo e se entregar ao problema já que a esperança não existe mais.
          Observando a situação degradante a qual mais de um milhão de brasileiros se encaixam, é obrigatório repensar qual o papel do estado por parte disto. Percebe-se que, segundo  o Art. 6º da Constituição Brasileira:'' São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade , à infância e a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.'' e o Artigo 21 da Declaração Universal dos direitos Humanos ''Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo  de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.''Obtendo consciência de todos os deveres do estado com relação ao cidadão e vice-versa constata-se que alem das condições sociais precárias já percebidas, os aspectos jurídicos e políticos inexistem para essas pessoas. Portanto quem vota, tem casa meus senhores e rua não é casa, rua é rua e morador de rua para os desumanos não é cidadão.
          Negar ao homem o direito de exercer sua humanidade é  transferi-lo para a condição animal, aonde o mesmo luta pelo presente, não acredita no futuro e muito menos faz planos para ele. Resgatar a cidadania de um homem é entender a espécie humana, seus anseios, suas fraquezas e idealizar uma solução, a mesma que se tornará uma politica publica. Isto é, a única arma que une todos os mecanismos necessários para que o ciclo social aconteça, neste caso  tirando a  invisibilidade dos moradores de rua  perante os outros cidadãos,devolvendo-os para a sociedade fazendo com que seus direitos e deveres possam ser cumpridos de forma digna, reinserindo-os nas condições dignas de sobrevivência fazendo que o instinto animal apurado pelas situações de risco das ruas se torne um passado.

Cecilia Pereira Silva -Numero Usp 7554901

Um comentário:

  1. Falar sobre subcidadania dos moradores de rua é acalentar às perversidades de uma forma de governo corrupta, despreocupada com as verdadeiras mazelas sociais de atualmente. Observamos, nas grandes cidades, fascinantes projetos de revitalização de centros urbanos, porém, alguém já se perguntou se algum deles enfatiza o principal, ou seja, as pessoas ? Citemos o exemplo no Projeto Nova Luz, de São Paulo, quase R$ 40 milhões gastos e alguém notou alguma melhora? Pelo contrário, a população, considerada pelo Estado, marginalizada, cresce à cada dia e a nossa indiferença sobre tal temática, idem.

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