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sábado, 22 de outubro de 2011

Pseudo convivência;

"É só uma noite chuvosa,  você viu uma foto de uma banda emo e resolveu ouvi-la. Ah Internet! Tudo e nada ao mesmo tempo! Você confortavelmente desconfortável, com um click. Simultâneamente, o Universo conspira contra você, na ideia sacana de te levar a tentação do saber. Hoje em dia, você sabe de tudo (ou não) sem nem ao menos por seu nariz necessitado de uma plástica, pra fora de casa. Você põe uns "arroba" e vê lá, a vida "...
"@ DA HORA A VIDA".
Um grande Coliseu virtual, onde a diversão garantida é a desgraça alheia, e como desgraça pouca é sempre bobagem, você faz parte da diversão alheia, com a sua desgraça; portanto, é ai que vale a regra "pensar antes de agir/digitar". É relacionamento exposto, é DR coletiva, é indireta do tipo, "tiro de sal grosso que funciona como bomba atômica".
Você escreve sem pensar, pesando que pessoas que te importam não vão ler, assim como elas escrevem a merda toda acreditando que quem é importante não vai ler, e se ler não vai se importar, e assim segue o Caos que há quem diga ser Ordem.
Onde estão os vossos/nossos amigos?
Antes poucos amigos, porém todos reais e fixamente posicionados em uma vida de fato fluente; Tocar o telefone, sair para encontrar com ou sem destino, mesmo que só para uma conversa em frente o portão de casa até altas horas. Rir junto, rir do outro, com o outro e quando chorar, chorar com alguém que pudesse te abraçar quando não coubessem palavras.
Até algum tempo, você no máximo ligava para alguns deles, ou berrava no portão mesmo, e marcava um "rolê" qualquer, onde vocês riam e compartilhavam as novidades e afins. Estava tudo ali, o riso, os abraços, as azarações, os beijos verdadeiros e tudo o mais que vem depois.
E hoje?
Hoje, tudo isso foi substituído por uma conta fidelidade com algum provedor + conta telefônica, alguns "arrobas", alguns perfis com fotos das pessoas "importantes" , uma lista de favoritos, familiares, e o seu status de relacionamento, de um promissor relacionamento sério, partido de um click no botão "aceitar". Tem também um recurso mais "vip's" , onde você só aceita os mais chegados, e algumas janelinhas saltam iluminadas e barulhentas na sua tela. Cabe aqui dizer que, existem pessoas que passam o dia conectadas nesse recurso, esperando uma outra janelinha menor avisar "fulano acaba de entrar", pra enfim explodir de alegria, ir dar um "arroba" feliz, e no fim das contas nem falar com o tal fulano, e abrir a janela dele só pra monitorar a hora de ele sair, e ficar grilando com ideias absurdamente criativas sobre uma provável vida social MUITO agitada.
De neurose comum e humana, para psicose.
Infelizmente a maioria das pessoas que você conhece, tem duas personalidades, e isso vai bem além de problemas mentais. Isso se chama "modernidade". Sim, hoje você, eu e eles, todos nós, podemos ter uma bela vida fingida via Internet. Ou você acha mesmo que aquele seu amigo que posta mil badalações e mil azarações, está de fato em uma vida assim, tão legal? Já parou pra pensar que essa pessoa pode estar com a bunda dela colada num sofá barato escrevendo todas essas coisas antes de ir dormir "ALONE" na cama dela?
Resume-se divã virtual.
Mas pior do que isso, é que você lê o divã alheio, está ali ... os problemas deles, as alegrias, frustrações ... as conversas desnecessárias que destroem as suas conversas desnecessárias e seus sonhos platônicos de pessoas que você, poucas vezes viu na vida e ACHA que conhece bem. Conhecer é conviver, compreender é poder ouvir, e entender. É ter oportunidade de fazer parte. Mas, talvez você prefira manter seu "status" e ignorar isso tudo que acabou de passar na sua mente, sobre o que você faz na Internet, e que a grande maioria também faz.
E sabe o que acontece se você se magoar? Vai chorar sozinho, crendo estar acompanhado por uma janela ... que muitas vezes, não vai abrir.

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